Aparentemente esta seria a conclusão legítima a tirar da leitura das notícias sobre o estudo “Media Reactions” que a Kantar publicou no final de Setembro.

Dizia-se nos artigos que fui encontrando na internet – e bem – que os espaços publicitários preferidos dos consumidores são as plataformas: Amazon, Snapchat, TikTok, Twitch e Prime; e os espaços publicitários preferidos dos marketers são: o Youtube, Instagram, Google, Netflix e Spotify.

Acrescentava-se ainda que as escolhas de uns e de outros não coincidiam num único ponto, que ambos estão cada vez mais distantes e que, basicamente, os profissionais da comunicação olham para um lado e os consumidores para o outro..

Pois eu não concordo com isso.

É óbvio que as escolhas de uns não coincidem com as escolhas de outros. Mas, o importante neste ponto seria perceber por quê e desconfio que a resposta pode estar na pergunta feita.

Lendo o que está disponível do estudo, no site da Kantar, podemos ver que o título dos gráficos é: “Top ranking media brands among consumers” e “Top ranking media brands among marketers” e, no texto, se fala em “Consumer’s / Marketers’ preferred platforms”. 

Ora, estas frases indiciam que a pergunta possa ter sido “quais as suas plataformas preferidas…” ou algo semelhante e, por isto, não me surpreende que as escolhas não coincidam.

Com esta pergunta, até a mesma pessoa podia responder de forma diferente, enquanto consumidor e profissional, sem ter de se sentir na obrigação de consultar um especialista em saúde mental.

Eu mesmo vivo nesta dualidade: como consumidor prefiro largamente as recomendações da Amazon aos spots do Youtube! No entanto, enquanto publicitário – bem sei que ninguém pediu opinião a estes, mas imaginem que é um marketer – prefiro o inverso.

Os “anúncios” na Amazon são muito melhores para mim porque coincidem com as minhas escolhas recentes.
Infelizmente os anúncios no Youtube e no Spotify, não.
Mas podiam.

Basta pensar que, se eu andar uma semana a ouvir jazz-alternativo-eslovaco, na semana seguinte o Spotify sugere-me uma playlist fabulosa de músicas do género, mas um spot do Mickael Carreira no Meo Arena!

Como exactamente o mesmo acontece no Youtube, Instagram, Google e, presumo, no Netflix com reclamos, como é que querem que as opções coincidam quando me perguntam “qual a minha plataforma preferido para anúncios?”!?

Mas, o mais importante, é que o dito estudo não me leva a pensar que a comunicação está pior porque profissionais e consumidores olham para sítios diferentes.

Pelo contrário.
No documentos disponível, refere-se que há 57% de receptividade positiva dos consumidores à publicidade – um valor a subir desde 2020, tendo saltado 10 pontos do último estudo para este – e que não percepcionam o offline e o online como territórios separados.

Quer isto dizer que estão a gostar mais de anúncios, estejam eles onde estiverem. 

E há ainda mais um detalhe: o consumidor está a reagir melhor a planos integrados de comunicação do que os marketers. Ou seja, uns gostam de ver comunicação integrada entre canais (o consumidor) enquanto outros, os marketers, cortam os pulsos porque cada vez há mais canais e mais linhas no excel.

No fundo o que o estudo mostra, é que os consumidores são mais inteligentes do que os marketers e jornalistas pensam. 

Como dizia o Sr. Ogilvy: “o consumidor não é estúpido. O consumidor é a minha mulher.

Imagem meramente ilustrativa e gerado por AI. Não corresponde nem à mulher de David Ogilvy, nem à minha, claro.

Link estudo “Media Reactions” – Kantar© https://www.kantar.com/inspiration/advertising-media/media-reactions-2025-where-do-people-prefer-advertising

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